segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Deserto




E agora paro e penso em todos aqueles lugares que ainda quero ver, e em todos os corações que ainda vou chegar. Então como me estagnar nesse teu tempo vagaroso?

Você agora - minuto a minuto, pois minha vida não tem tempo a perder - vai se tornando parte da minha coleção de diminutas lembranças amorosas.

Nas prateleiras da minha alma encontram-se esses pequenos bibelôs: criações delicadas do meu coração e de minhas intensas fantasias. De um lado, esses enfeites realizados, os pequenos troféus de uma vida em ato, do outro, as lembranças desses sonhos idealizados, as mimosas imagens do que poderia ter sido. Te colocarei gentilmente ai, nesse último.

De tempos em tempos te visitarei e te contemplarei. E um sorriso se estampará em meu rosto. Não é de você que estarei sorrindo, mas sim é desse meu coração bobo que inventa travessuras. Cria divertidos jogos em desertos arenosos. Faço dessa areia, uma momentânea cachoeira. Mergulho, me iludo! Te faço enchente fazendo transbordar meu espírito em coloridas emoções. Me divirto, te transformo naquilo que me compraz. Te dou à luz, fazendo nascer em ti existências impensadas...

Você!
Deserto de areia.

Contigo vivi centenas de emocionantes contos sem que você jamais desconfiasse. Você não pode desconfiar...

Você!
Horizonte de secura. Tempo que nunca passa. Marasmo que entendia…
Um deserto de areia.

Agora és uma pequena lembrança do que jamais pode ser: Amor em correnteza!

É do que tu não és, que te guardarei em minhas lembranças.
Sinta-se lisonjeado!

domingo, 13 de setembro de 2015

Sobre Estômagos e Corações

Meu coração e meu estômago são muito próximos, e funcionam parecido: precisam ser alimentados 3 vezes ao dia! No minimo uma vez ao dia, aceitando quando se vive momentos dificeis…

Por que meu coração haveria de ser diferente do meu estômago? Não ocupam o mesmo corpo e o mesmo desejo de minha alma?

Há quem se engane a respeito de minhas necessidades… Ah coitados!

Acreditam que eu espero!

Se tem uma coisa que não tenho na minha vida é paciência, e foi justamente essa caracteristica que me faz hoje eu viva! Quem não busca seu alimento morre na inanição! Já passei fome e disso não passo mais, aprendi! Se não tenho aqui, busco acolá! É assim que se vive quando se respeita as necessidades de seu corpo e alma. E podemos viver fora de nosso corpo e alma? Não espero para ver, e também não faço questão de querer.

Não tenho paciência, e não aceito migalhas. Onde não há fartura, meu corpo e alma não permanecem!

Logo encontro outras mesas e camas…

Mas hoje há um mal que acomete nossa sociedade, a busca de uma aparência que não condiz com as necessidades corpóreas e afetivas… Não se come para tentar ser magro, não se sente para aparentar controle… Vivemos a era da Anorexia! Ela, em todas as suas possibilidades! Se privam de um doce, se privam de fazer uma ligação, e quando o outro faz, já é demais! Tudo é demais para os anoréxicos.

Porém só quem já viveu diariamente mergulhado no delicioso mel do amor, para saber que não se vive com raspas amorosas uma vez por semana… Eu quero a abundância percorrendo meu corpo, quero a enchente de afetos afogando minha alma de amor! Mas os anoréxicos afetivos se assustam com esse afogar! Coitados são tão frágeis, que acham que vão morrer. E quando lhes é oferecido a fartura do amor, logo acusam: “você está me sufocando!” Entram em estado de pânico diante da maré amorosa! Mal sabem eles que aprendemos a nadar nesse profundo oceano de sentimentos. Mas tudo é demais para eles. Vivem com o mínimo e acham que o Outro precisa se satisfazer da mesma maneira..

E como encontrar abundância na anorexia? O que sobra é deixá-los em paz em sua anemia sentimental…. aquela paz que se aproxima quase do estado de morte…

Vão queridos! Vivam em paz em seu pequeno ataúde de individualidade!

Já eu? Eu quero o borbulho, a intensidade, o estrago, o excesso! Quero me lambuzar inteira em todas as delicias que a vida me oferece! Quero o amor invasivo e passional. Quero o amor que me satisfaz, que me alimenta, que sente prazer em estar juntos… o amor em que faz esquecer o Eu e o Tu, para se viver o Nós… um mergulhado no outro!

Sou feita de vísceras, pele e afetos. Amor que não dá conta disso que procure os santos nos templos, esses, feitos de imaterialidade e sopros divinos…

Aqui pelo contrário, tem carne, pulsão, sangue e desejo… e isso definitivamente não é para qualquer um!

Mas eles acreditam que eu espero… coitados!

Aqui estou percorrendo novos e mais novos territórios afetivos. Me alimentando de novos sabores e desejos. Meu estomago e meu coração nunca param! Não ousam esperar. Meu corpo e alma insaciáveis.... nômades!



sábado, 18 de julho de 2015


Somebody That I Used To Know





Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So when we found that we could not make sense
Well, you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough

No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know

Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know
Somebody, I used to know
Somebody, now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know
I used to know
Somebody

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Amiga Angustia




Sabe a arma na boca?

Pois é, me peguei pensando nela nesse exato momento! Diferente de muitas pessoas eu acho ela bem convidativa em várias ocasiões. Às vezes não é arma na boca, mas a deliciosa sensação de uma faca na jugular. Já a faca serve mais para os momentos em que sinto a necessidade de uma punição ou de algum tipo de intensidade. Eu realmente sinto um grande prazer ao imaginar a lâmina rompendo a carne, e fazendo jorrar o sangue antes preso no corpo, tal como feijão querendo sair de panela de pressão. A arma na boca já tem para mim um sentido mais imediato, um fim iminente, simplesmente alívio através de um delicioso "Puf!"

Há quem vá dizer: “Meu Deus você tem problemas!”

Nessas horas respiro desdenhosamente por ver a negação que as pessoas fazem de si mesmas. A angustia está dada, para todo e qualquer ser humano. A diferença entre eu e a grande maioria é que eu não encontro alívio naquilo que a nossa cultura aceita para mansidão das angustias, essas nossas presentes companheiras. De fato, eu sou um desadaptado. Não encontro alívio em religiões, ou na formação de um núcleo família sanguíneo, nas festas, bebedeiras, no ócio televisivo, nos encontros banais entre amigos, nas conversas mal afiadas de trabalho etc. Eu passo por tudo isso, mas sou sempre um estrangeiro, olhando de fora tantas encenações e fugas.

Eu não tenho problemas! Vocês que encontraram soluções para aquilo que vocês pensam ser um problema. Eu ando abraçado com a minha angustia. É ela que me dá um beijo todas as manhãs, e me faz carinhos na cabeça antes de dormir. Durante o dia às vezes ela me surpreende pegando em minha mão, ou sussurrando coisas em meu ouvido. Outras vezes durante a madrugada ela me acorda para conversar, e lá ficamos - ela e eu - em um diálogo intenso na madrugada. Graças a ela é que pude muitas vezes olhar a lua, as estrelas, ou ver o nascer do sol. Poxa! Como posso negar uma companheira tão fiel?

Eu gosto da Angustia, pois ela é a única amiga que me tira do lugar comum. Ela faz de mim um filósofo: com ela eu penso, reflito, medito. Na grande maioria das vezes não encontro respostas é verdade! Mas ela mexe com minha alma. Tira-me do palco do senso comum, me arranca as máscaras que até eu acreditava já ser eu. Sim, ela me bagunça! Coloca interrogações onde antes eram certezas. E sim, com ela às vezes vou passear a beira do precipício, ali onde se inicia o fim: a arma na boca!  Mas é quando eu faço esses passeios macabros com minha amiga, que o retorno à rotina toma outro sentido. Lá a beira do precipício ela silencia, normalmente fica lá - sentada à beira - embalando suas pernas agitadas olhando para o horizonte obscuro. Silêncio que me diz: “agora pode voltar!” Eu volto, sozinho, sereno. E então todas aquelas festas, as bebedeiras, o ócio televisivo, os encontros banais entre amigos e as conversas mal afiadas de trabalho já não são solução para o “problema” angustia como a maioria das pessoas faz uso. Para mim, já são a própria existência. Medíocre existência é verdade, mas existência que pode ser reinventada e recriada. Não é a encenação dura e rígida de quem foge de algo, se apegando com unhas e dentes as mediocridades da pretensa estabilidade. Continuo estrangeiro, mas o estrangeiro que traz consigo a novidade e a diferença para a criação. Afinal não há mais nada temer para quem já esteve diante da obscura boca do abismo: A imagem da língua em fogo atravessando os delicados miolos pintando com cores quentes o que já não tem mais vida. 


A angustia quando nos leva ao limite nos ensina humildade e uma capacidade criativa para nosso dia a dia. Nem todas as amizades nos elogiam ou nos distraem com supérfluas alegrias, às vezes é nas amizades mais duras que encontramos outras verdades. É preciso abraçar e ouvir a própria angustia, e mesmo nos levando à beira do precipício é lá onde ela nos ensina a leveza da vida! 

domingo, 24 de agosto de 2014

Confutatis maledictis
Flammis acribus addictis
Voca me cum benedictis
Oro supplex et acclinis
Cor contritum quasi cinis, gere curam mei finis


Parabéns! Hoje a criança faz 10 aninhos! 

Primeiros anos de vida uma gracinha, muito amada, cheia de mimos e pequenas festinhas. Sempre o olhar e o abraço carinhoso a lhe cuidar e ninar. A promessa de um Infinito lhe cobria a alma.

Os dias passaram, a rotina acinzenta a vida, os abraços são lânguidos e o olhar distanciado. A criança já não é o centro. E quanto mais o tempo passava uma certa indiferença cresceu, um certo descuidado, mas ainda assim uma presença extenuada, mas presença. 

Já pelos seus 5 anos a coisa realmente era diferente. A criança chorava, exigia, mas nada podia ser feito por ela. Não havia mais espaço para ela. O Infinito era um engano. Um desejo limitado cheio de fronteiras. Pequeno. Depois dos 5 anos foi praticamente abandonada... Viu-se só! Ainda assim continuou tendo fé. O tempo estava ao seu lado. Agarrou-se aqui e ali...comia sobre o coração temporariamente quente de algum moribundo, para logo deparar-se com uma carne dura e fria. Era a morte, essa sempre presente na vida da criança desde então. E assim, no fim acabava novamente só.

Rolou pelas ruas da cidade, da vida... voltava a espiar seu passado que estava ali...Porém só encontrou securas e egoísmos cultivados numa birrenta mágoa. Eram estátuas, nada a declarar, nada a sentir, nada! Desistiu, seguiu!

Um dia abaixo dos delírios de sua fome - quando espiou mais uma vez o seu passado - acreditou ver um movimento...Será verdade? Sussurrou e acreditou ouvir um eco... seu coração bateu forte... passou um tempo nesse encantamento, sempre emitindo sinais e ouvindo retornos. Todo seu corpo virou esperança. Ela encontrou novamente a vida e aquele bom espaço que a acolhesse! Travou diálogos com seu passado sempre tendo retornos! Era muita alegria!

Porém um dia estranhou, se deu conta que a coisa não avançava. Mas apenas repetia. O que havia de errado? Começou a olhar melhor, andou, olhou mais um pouco, andou para o outro lado e olhou. E então derrepente sentiu seu peito comprimir, uma dor avassaladora lhe rompeu a alma. Viu um espelho! Não havia nada lá, apenas o reflexo dela mesma e de sua fé. Todo esse tempo sussurrou e travou diálogos em sua própria alma. Nada mais! 

Viu-se novamente só... seguiu...Com o tempo, através de sua alma lúdica - aprendeu a se divertir e ter fé com o espelho. Eram voos sabidamente fadados a penúria. Mas fingia acreditar para continuar seguindo...

Seguiu, brincou, cansou... 

Já não sabe mais o que é amor. Dúvida se algum dia soube. Desistiu de viver sobre os corpos de moribundos, pois já não lhe suporta mais ver a morte. 

Hoje ela faz 10 anos, seu corpo é magro, cadávérico, completamente desnutrido. Essa criança não brinca mais, não tem mais fé. Sua alma agora é dor e chagas. Seus olhos opacos não enxergam o mundo. Encolheu em si. Murmura alucinações para seu coração que sofregamente palpita, devagar, cansado. Tem o tempo ao seu lado, mas não o espaço.

Nessa noite em comemoração aos seus 10 anos ela prometeu para si uma festa! Uma passagem que finalizará todo seu passado, esse o construtor de seu corpo e alma!


Suicida-se

domingo, 9 de março de 2014

Pulse




Hold, listen to my pulse
I have a nervousness that must leave
Oh I will say I’m not
It won’t help my want for this to be over

When the moment comes, it’s like a wild fire spreads
Holding to my body so.

Slowly, I wait to find the has wrapped around me and won’t let go
Darkness has led to distance, I wait in hope to find an end

Oh, I can hardly sleep, this has filled my chest and won’t leave
Oh, it will stay all night, won’t talk myself around, or stay calm

When the moment comes, it’s like a wild fire spreads
Holding to my body so.

Slowly, I wait to find the has wrapped around me and won’t let go
Darkness has led to distance, I wait in hope to find an end
Slowly, I wait to find the has wrapped around me and won’t let go
Darkness has led to distance, I wait in hope to find an end

Ilusão

  
E nesse deserto afetivo eu tateava algum encontro possível
Tantas vezes minha ilusão te fazia próximo
Deliciosa sensação que se desvanecia
Abandonando-me na solitude árida desse afeto

Já não sei o que é realidade ou ilusão
Cada gesto teu por mim visto e sentido
É apenas dúvidas
Há ainda esperança?

Eu sei que te machuquei
Queria que minhas lágrimas
Cicatrizassem tuas feridas
Mas talvez as feridas que causei
Foram mais fundas que minha capacidade de chorar
Quantos litros mais tu queres de mim?

E talvez tu já não queres mais nada
Nada

Porém continuo fazendo da minha realidade
Esses momentos de ilusão

Em mim tu nunca foi
É
Cuido e mimo cada lembrança
Contemplo e acaricio cada atual gesto
Que pelo visto é o que me resta...


Amor sem pretensão!


sexta-feira, 7 de março de 2014

I Love You!






Where the light shivers offshore

Through the tides of oceans
We are shining in the rising sun

As we are floating in the blue

I am softly watching you
Oh boy your eyes betray what burns inside you

Whatever i feel for you

You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
'Cos i love you
Is there anything i could do
Just to get some attention from you?
In the waves i’ve lost every trace of you
Oh where are you?

After all i drifted ashore

Through the streams of oceans
Whispers wasted in the sand

As we were dancing in the blue

I was synchronized with you
But now the sound of love is out of tune

Whatever i feel for you

You only seem to care about you
Is there any chance you could see me too?
'Cos i love you
Is there anything i could do
Just to get some attention from you
In the waves i’ve lost every trace of you
Oh where are you?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Viajando

A locomoção era curta. Meu corpo assim como o dos demais passageiros pedia sono. Fechei os olhos, buscando meu berço interno, porém o espírito nômade ansiava. Beliscou-me curiosidades pelo filme que se desenrolava através da janela. Mergulhei nesse filme abraçada fortemente pelo sedutor espírito nômade. E lá ficamos nós – juntinhos - a contemplar os cenários que desabrochavam a cada quilometro percorrido.

A paisagem acariciava meus olhos com suas diversas formas e tonalidades.

O azul claro do céu era um abraço macio e suave em que meus olhos relaxavam. Embalada nesse azul celeste, fui surpreendida por uma pequena nuvem travessa que fugia rasteiramente muito abaixo das outras nuvens. Ela dançava, deslizando com suas formas graciosas e mutantes, entorpecendo assim meus olhos e fazendo cócegas em minha alma. Ri baixinho para não atrapalhar o sono dos outros passageiros.

 Mais adiante um mar de capim estendia-se até o horizonte mergulhando meus olhos nas ondas de diversos tons de verde. Nesse mar banhei minha alma limpando-a do concreto cinza e agudo das desesperadas metrópoles. 

Os raios de sol desciam suavemente sobre meu rosto como as mãos quentes de um pai que abençoa sua filha. Entreguei-me deliciosamente a essa benção! E assim, acariciada, limpa e abençoada, beijei meu espírito nômade trazendo-o carinhosamente para o confortável berço interno. Dormimos! Abraçados de conchinha! 



quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Catarse



No inicio a tua ausência era um abismo em minha alma

Arrastava-me machucada, 
Agonizando nesse silêncio que tua não presença me fazia

Dias e meses se passaram 
E nesse abismo construí pontes e poesias
Atravessava a tua ausência como algo mudo:
Um sufocar reprimido
Um Grito proibido!
Sempre banhados de lágrimas para se suportar

E de tantas lágrimas derramadas 
Um rio se fez sob minhas pontes

Hoje a tua ausência é um silêncio dentro de mim
Um jardim que me recolho para contemplar

Amanhã apenas uma serena lembrança

Um pouco além
Longe de mim
nada

A vida continua! 

*Dedicado com carinho a todos os mortos - físicos ou afetivos - que apodrecem até se exterminar.